PAULO, PEDRO E MARCELO

Artigo de Opinião

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Margareth Tatcher disse: “Não há dinheiro público, há apenas dinheiro dos contribuintes.”

É uma constatação de consciência política e social. Esta definição, real, concreta e objetiva, assume a sua plena dimensão quando percebemos que retiramos da mesa de cada um para alimentar o Estado, o Coletivo. Este princípio comunitário é fundamental e dele emergiram grandes conquistas em Portugal, como o Serviço Nacional de Saúde ou o Serviço Público de Educação. No entanto, alicerçando no conceito económico de custo de oportunidade, percebemos rapidamente que uma determinada opção política implica, justificada pela finitude dos recursos, a renúncia de um outro determinado bem.

Ou seja, quando falamos em opções políticas e definição governativa, falamos da assunção de prioridades e da afirmação de causas em detrimento de outras. Assim, onde, nas premissas do acordo de governação das esquerdas, se contempla o coletivo, a visão estrutural para o desenvolvimento de todo o País, a preocupação igualitária para todo o território e para todos os seus concidadãos?

Os conhecidos desenvolvimentos relativos ao Orçamento de Estado para 2016 compreendem um sem fim de preocupações, optimismos fraudulentos e vaidades declaradas, onde o populismo eleitoral socialista (a prata da casa!) se une com a agenda sindical comunista, e que confunde, não raramente, direitos dos trabalhadores com aprofundamento das desigualdades, ou serviço público com propriedade pública. A agenda da governação é marcada pelo retrocesso das medidas adoptadas desde 2011, muitas das quais de cariz extraordinário e contempladas no Memorando de Entendimento do Partido Socialista como resultado do estado de necessidade, não ideário político. Outras, pelo contrário, resultam de reformas urgentes, estruturais e de cariz geracional, para as quais Portugal, e os seus decisores, não olharam nas últimas quase duas décadas.

Pergunto então: onde ficamos no meio do acordo das esquerdas? Para o Alto Minho, onde ficaram as opções estruturais para um território periférico, desertificado e empobrecido, com necessidade de aposta no turismo, na inovação regional, na economia azul e na potenciação da geografia transfronteiriça? Onde ficou a aposta e a diferenciação positiva dos territórios de baixa densidade no meio das negociações relativas às empresas de transportes do Porto e Lisboa? E de que forma foi considerado o combate ao desemprego jovem aquando da luta pelos privilégios de pequenos setores de trabalhadores em Portugal?

Não encontrei, entre a reversão da privatização da TAP, as viagens gratuitas dos familiares na CP e os apontamentos do Prof. Mário Nogueira, qualquer referência a tudo isto. E quem não pensa nisto na definição de um Governo, não pensa no pleno do seu País.

Assim, facilmente percebemos o porquê da história recente da política nacional em Viana do Castelo ter três protagonistas vitoriosos do centro-direita: Paulo Rangel, Pedro Passos Coelho e Marcelo Rebelo de Sousa.

António Teixeira Rodrigues // Presidente da JSD Distrital Alto Minho
António Rodrigues

1 COMENTÁRIO

  1. O erro deste País são os políticos e os seus privilégios, a corrupção politica, tudo isto pós 25 de Abril; tenha decoro politico e, antes de falar, fale com dados objectivos, estatísticas/custos, s.f.f.. Sabe, sou do tempo em que Salazar dava mais benefícios aos seus trabalhadores ferroviários, do que actualmente, e a empresa não tinha crises financeiras, foram os privilegiados da politica, sem valor, que nos trouxeram até aqui, por isso, não fale de privilégios para encobrir a incompetência da classe a que pertence. Lembre-se dos Bancos e outros…
    Sabe que, acicatar a inveja, é um truque de quem não tem nada para apresentar – é o vazio.

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