Ponte de Lima:: As escolas do povo

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Ponte de Lima:: As escolas do povo

Fundadas na década de 60 do século passado, a “Escola Técnica de Ponte de Lima” (ETPL) e a “Escola Preparatória António Feijó” (EPAF), hoje a funcionar com denominações e tipologias de ensino diferentes, resultam de uma transformação estrutural renovadora da política educativa, delineada pelo Estado Novo sob o prisma do pós-guerra, com o ministro Pires de Lima a tutelar a Educação.

Na vila limiana, a ETPL,  concebida como “escola de ensino técnico profissional”, foi criada, num espírito de modernidade, no final do ano de 1960, pelo Decreto 43401, de 15/12, conferindo-lhe o diploma fundador, da responsabilidade do ministro Leite Pinto, três níveis/modalidades: o “ciclo preparatório”, o “ensino complementar agrícola” e o “ensino de formação industrial orientada para as profissões eletromecânicas”.

1965 – O ANO DA ESCOLA TÉCNICA

Depois de cinco anos numa procura incessante de instalações, levada a cabo pela edilidade limiana, esse objetivo só viria a ser alcançado no mandato do novo presidente da Câmara, que havia entrado em funções em 17/06/1964: o médico Álvaro Vieira de Araújo, que viria a administrar o município, com uma lucidez extrema, até 1974.

Já no mandato do ministro Galvão Teles, em 10/12/1965, após a aquisição pelo município do histórico Paço do Marquês, a ETPL deu início, sob a sábia e apaixonada direção de Joaquim Pissarra — uma personalidade inconfundível — a um dos seus níveis de ensino: o “ciclo preparatório do ensino técnico”

1968 – O ANO DA ESCOLA PREPARATÓRIA

Na alvorada do ano de 1967, o ministro Galvão Teles, seguindo os estudos concetuais progressistas efetuados no consolado de Leite Pinto, dá um passo em frente na uniformização do “ciclo preparatório” e cria, através do DL n.º 47480, de 02/01, o “ciclo preparatório do ensino secundário”, modalidade que passa a substituir, tanto o “1.º ciclo do ensino liceal”, como o “ciclo preparatório do ensino técnico profissional”.

Este novo modelo organizacional passou a vigorar no ano letivo de 1968/69, já depois de ter sido criada em 1968, por Galvão Teles, uma nova tipologia de escola — a estruturante “Escola Preparatória do Ensino Secundário” (Decreto n.º 48572, de 09/09).

E aqui, mais uma vez, sob a liderança do eminente médico-autarca, a edilidade limiana lá foi, com invulgar obstinação, em busca de mais um edifício para instalar este novo estabelecimento de ensino que, por força da inovadora reestruturação do sistema educativo, se autonomizou da ainda jovem ETPL.

As instalações foram encontradas na Rua Vasco da Gama, hoje Rua do Arrabalde, num imóvel datado do início do século XX e pertencente a uma distinta limiana — Beatriz Fernandes Lima — passando ali a funcionar, a partir do ano letivo de 1968/69 — e durante 10 anos —, o novo “ciclo preparatório do ensino secundário” (CPES).

Nasceu, assim, a cinquentenária “Escola Preparatória António Feijó”, cujo patrono foi escolhido por consenso — o imortal poeta-embaixador que, integrado no movimento literário Parnasianismo, glorificou as terras do Lima —, cabendo a sua instalação, como primeiro diretor, a uma personagem inesquecível: o mestre Manuel Maria Ferreira Vieira.

PROMOÇÃO DA MOBILIDADE SOCIAL

Estas duas escolas emblemáticas —  a ETPL e a EPAF — viriam a formar, com jubiloso brilhantismo, milhares de estudantes e foram, insofismavelmente, os estabelecimentos de ensino que, através de um extraordinário impulso educativo e formativo, mais efeitos produziram na segunda metade do século XX, na transformação comunitária e na mobilidade social, sobretudo no município limiano.

O “CPES”, ainda viria a conviver, em paralelo, com outras duas modalidades de ensino criadas por Galvão Teles, em 1964 e 1965: o “ciclo preparatório TV” — Telescola — (1.º e 2.º anos), gerado em 1964 pelo DL n.º 46136, de 31/12 (funcionou, via TV, de 1965 a 1987 e por videogravador até ao ano 2000), e, também, o “ciclo complementar do ensino primário” (5.ª e 6.ª classes), concebido em 1965 pelo DL n.º 45810, de 09/07 (com início em 1966/67).

A Escola Técnica, depois Escola Secundária, contribuiu para o declínio e o encerramento das duas escolas privadas que, desde a década de 50, disponibilizavam o ensino liceal na vila limiana: o “Colégio D. Maria Pia” (feminino) e o “Externato Cardeal Saraiva” (masculino).

DUAS ESCOLAS, UM PRESIDENTE

Na constelação de personagens que “fundaram” e “instalaram” as tão celebradas “escolas do povo” emerge um nobre limiano, o médico-autarca Álvaro Vieira de Araújo (1927-1982), personalidade que ainda hoje é motivo de inestimável consideração na sociedade limiana, demonstrada num torvelinho de emoções, quando dele se fala: pelo seu trabalho generoso e humanista no campo da medicina; pela sua ação apaixonada como promotor incansável do desenvolvimento do concelho e de cada um dos seus munícipes.

A sua morte, aos 55 anos, provocou um sentimento de irrealidade, ainda hoje latente junto do povo “mais velho” que ele tanto amou e promoveu.

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