Por que arde a Floresta?

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No dia 15 de Maio deu início a segunda fase de perigo – Fase Bravo – para fazer frente aos incêndios florestais que, ano após ano, atingem o país. Nesta fase, segundo a Diretiva Operacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil que estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) para 2014, serão distribuídos por todo o território nacional 5.175 operacionais, 1.251 viaturas, 34 meios aéreos, encontrando-se 70 postos de vigia em funcionamento. Sem dúvida alguma o país deve encontrar-se preparado para fazer frente a este flagelo que insiste em destruir anualmente milhares de hectares de uma riqueza da qual a economia nacional se sustenta. No entanto, o que fazemos para evitar a sua repetição?

Ao nível da Europa e mesmo mundial, Portugal é um país especializado em atividades silvícolas, sendo um dos estados membros da União Europeia onde o setor florestal assume um maior peso no PIB (2%).

A floresta é a base de uma importante fileira industrial que confere a Portugal, assumir o papel de exportador de produtos florestais, somente sendo ultrapassado pela Suécia e pela Finlândia). Cerca de 10% das exportações têm origem nesta fileira florestal.

A floresta gera 180 mil postos de trabalho em mais de 7 mil empresas e, não estamos a considerar a área da defesa da floresta contra incêndios e o combate, apenas na área da produção.

Segundo os dados do Inventário Florestal os espaços florestais ocupam dois terços da área total do país (o equivalente a 8,9 milhões de hectares). (Fonte: Portucel/Soporcel)

Ou seja, todos concluímos que a Floresta tem valor e um considerável peso na economia do país, no entanto os dados do último Relatório Provisório de Incêndios Florestais, refletem uma terrível subvalorização. Os dados do último ano, à semelhança de anos anteriores contrariam o valor da floresta para a economia, para uma sociedade em crise. Por outro lado, pode levar a uma perigosa especulação de quem realmente ganha com os incêndios florestais, uma vez que a fileira florestal industrial perde valor ano após ano pela destruição de floresta produtiva. Então quem ganha? Por que arde?

O Relatório Provisório de Incêndios Florestais, de 01 de janeiro a 15 de outubro de 2013, elaborado pelo Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, aponta para dados muito preocupantes no cumprimento das metas previstas no Plano Nacional de Defesa da Floresta Contra Incêndios. Segundo o Relatório Provisório a área ardida ultrapassou a meta dos 100 000 hectares/ano e o número de ocorrências foi cerca de 19 000 ocorrências. O pior dado, no que respeita ao combate, vai para o número de reacendimentos, pois cerca de 8% das ocorrências no território nacional teve origem em reacendimentos.

Face aos números deste último relatório será que o investimento na área do combate para 2014, com um custo de 85 milhões de euros, anunciado pelo MAI, justifica-se?

Num país em crise, em que o setor florestal contribui cerca de 2% do PIB, o investimento no combate tem sido eficiente (não confundir com eficaz)?

Face ao problema dos incêndios florestais a receita tem sido sempre a mesma e ano após ano vemos aumentar o investimento no combate em detrimento do investimento na área da gestão e prevenção. Quanto foi gasto na prevenção estrutural e nas ações de gestão, apenas nas matas comunitárias (baldios) sob co-gestão do Estado?

A resposta é simples, ninguém protege nada que não valoriza realmente, porque ora não obtém valor ou receita ora porque desconhece o seu real ou potencial valor. Não podemos continuar a olhar para a floresta com a noção de que apenas fornece madeira ou pasta de papel. Não podemos esquecer que, por exemplo, no Alto Minho, a floresta e os espaços naturais constituem a base que assegura investimentos indiretos privados e públicos, tais como o turismo, a produção pecuária extensiva, a cinegética, a apicultura e podendo ainda vir a assegurar outras áreas de desenvolvimento potencial como a energia de biomassa.

Por outro lado, com os incêndios florestais não só se perdem florestas e matos, perde-se solo, perde-se água, perdem-se postos de trabalho, perdem-se oportunidades de negócio e aumenta-se o abandono do espaço rural e das atividades tradicionais que mantêm a paisagem secular do Alto Minho, aumenta-se a desertificação, aumentam-se os riscos derivados com os elevados custos que comportam, tais como: enxurradas, movimentos de vertente, assoreamento dos rios, etc..

Hoje, mais do que nunca, importa inverter a forma como olhamos a floresta, procurando participar ativamente na defesa e conservação dos nossos recursos (por exemplo na gestão participativa dos baldios) e propor aos decisores políticos medidas que visem a criação de oportunidades para a sustentabilidade económica e social do território rural.

Proteger implica previamente valorizar!

 

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Incêndios florestais // Já iniciou a segunda fase de perigo ‘Fase Bravo’

No dia 15 de maio deu início a segunda fase de perigo – Fase Bravo – para fazer frente aos incêndios florestais que ano após ano atingem o país. Nesta fase, considerada a segunda mais crítica deste dispositivo, segundo a Diretiva Operacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil que estabelece o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF) para 2014, serão distribuídos por todo o território nacional 5.175 operacionais, 1.251 viaturas, 34 meios aéreos, encontrando-se 70 postos de vigia em funcionamento.

A esta Fase Bravo sucede a Fase Charlie, que decorre entre 01 de julho e 30 de setembro e é considerada a mais crítica a nível de incêndios. Mais tarde chega a Fase Delta entre 1 e 31 de outubro e a ECHO de 1 de novembro a 31 de dezembro.

O distrito de Viana do Castelo no que diz respeito a meios aéreos, durante a fase Bravo, conta com um heliporto nos Arcos de Valdevez que recebe 1 HEBL, depois na Fase Charlie possui 2 HEBL e por fim na fase Delta volta a ter 1 HEBL.

No que diz respeito às equipas/grupos de intervenção permanente, o nosso distrito, possui 10 elementos num total de 2 equipas.

Quanto a meios do dispositivo de prevenção, vigilância, fiscalização deteção e ataque inicial da Guarda Nacional Republicana (GNR), Viana do Castelo conta com 47 pessoas e 16 viaturas e motos do Serviço de Proteção da Natureza (SEPNA).

Do Grupo de Intervenção, Proteção e Socorro (GIPS), nesta região, estima-se que estejam preparados 26 militares e 3 viaturas durante as 3 fases.

Meios do dispositivo integrado de prevenção estrutural do ICNF são 23 equipas de sapadores florestais, num total de 115 elementos que abrangem os 10 concelhos do distrito.

No que respeita a meios da Polícia de Segurança Pública (PSP) estão destacados 12 efetivos e 3 veículos.

Os dados constam do Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Florestais (DECIF), que refere ainda que os meios aéreos não serão disponibilizados logo no início da fase Bravo.

A partir de dia 15, o combate a incêndios contará com oito meios aéreos, sendo que outros cinco serão disponibilizados a 1 de Junho, dezassete a partir de dia 15 de Junho e os restantes quatro no dia 20 de Junho.

O dispositivo é reforçado este ano com mais 250 bombeiros e quatro meios aéreos relativamente ao ano passado e terá um custo de 85 milhões de euros.

Paulo Fernandes, docente e investigador do departamento florestal da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), disse à Lusa, que a influência do Inverno chuvoso na ocorrência de incêndios não faz diminuir muito a ocorrência de incêndios, ao contrário do que se poderia pensar.

“Talvez no sul do país, o facto de ter chovido muito este Inverno tenha alguma influência positiva na diminuição de fogos, mas no norte não é tanto assim, o que acontece quando chove muito é que, regra geral, a época de incêndios começa mais tarde porque as terras estão mais molhadas, assim como a vegetação, e levam mais tempo a secar”, sublinhou.

Segundo o investigador, o que é mesmo “determinante” na época de incêndios são as temperaturas e também os ventos.

Terminou, sublinhando, que, de Maio a Setembro, estão previstas temperaturas acima da média e que o Outono também se prevê quente, o que “poderá levar a algum agravamento no que respeita aos fogos”.

Fonte: prociv.pt

 

foto // ICNF // Cartografia de risco de incêndio florestal - Zonas críticas
foto // ICNF // Cartografia de risco de incêndio florestal – Zonas críticas

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