Primeiro museu português ao ar livre :: Objetivo é contar a “história do rio Vez”

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Primeiro museu português ao ar livre :: Objetivo é contar a “história do rio Vez”

É o primeiro museu ao ar livre em Portugal e situa-se nos Arcos de Valdevez. Desde já, liga a foz do rio Vez, passa a sede do concelho e vai até Vilela, numa extensão de 20 quilómetros, aproveitando corredores da ecovia. Numa segunda fase, incidirá no troço desta, desde Vilela, a partir da ponte medieval ali situada que dá início à ligação até Sistelo, o chamado “Tibete Português”, com uma extensão aproximada de mais uma dúzia de quilómetros.

O projeto museológico contempla, ainda, o Fluvivez, centro de acolhimento e informação e a porta de entrada do museu. Dotado de equipamento multimédia, tem como missão “dar a conhecer aos visitantes a história do rio e desafiá-los a conhecer, no terreno, o seu património”. Existem também dois postos, em Sabadim e Santar, para apoiar atividades de educação ambiental.

PRIMEIRA FASE TEM 20 QUILÓMETROS

O museu visa a promoção do património ambiental (flora e fauna), arquitetónico e etnográfico associado ao Vez e seus afluentes. Além da sinalização do património construído nas margens, inclui também, ao longo do trajeto, painéis informativos sobre a fauna, flora e ecologia do ecossistema ribeirinho, bem como do seu património construído e da sua história.

A primeira fase foi inaugurada no início de junho, compreendeu um investimento de cerca de 350 mil euros, financiado pelo programa operacional Norte 2020. Desde então, já recebeu milhares de visitantes. A riqueza da fauna e da flora existente nas margens do rio Vez levou a autarquia a avançar para a criação de um museu que convida à fruição do património natural e construído.

Primeiro museu português ao ar livre :: Objetivo é contar a “história do rio Vez”

Dos 13 açudes existentes no rio Vez, nove foram intervencionados ao abrigo do projeto museológico, “recuperando uma das suas funcionalidades, ou seja, diminuir a energia da corrente do rio, minimizando deste modo o poder erosivo sobre as suas margens”.

“Em alguns deles, o espelho de água serve para a instalação de pequenas zonas de lazer que permitirão o usufruto da beleza paisagística deste rio”, referiu-nos o edil arcuense João Esteves.

JOÃO ESTEVES “ACRESCENTAR CONHECIMENTO”

À VALE MAIS, o autarca explicou que o “aproveitamento de uma grande infraestrutura já existia, a ecovia, e, agora, acrescentamos conhecimento ao trajeto. Isso permitiu-nos criar esse conceito de museu, não só o sítio onde a gente aprecia os olhos, mas também adquire mais conhecimento.”

“Fizermos isso e chamamos-lhe museu da água ao ar livre. Porquê? As pessoas percorrem a ecovia. Os corredores são a ecovia e, de ‘tempos a tempos’, existe uma ‘sala’. Esta é um espaço onde, é-nos apresentada uma temática. Há uma placa que nos informa, mas nem tudo pode estar zonado. Há peixes que estão em todo o circuito. Há informação sobre fauna, flora e património, nomeadamente o histórico (azenhas, açudes, a ponte de Vilela/monumento nacional). Isso tudo tem ligação com mais informação, mais fotografias e um site. Uma placa fala de determinado assunto, carrego lá, tenho acesso ao site (se estou a ver a placa daquele assunto, vou ao local do site onde fala do mesmo). No percurso há seis áreas. Em cada uma delas tentamos tratar uma temática, mas não especificamente daquele sítio.”

Primeiro museu português ao ar livre :: Objetivo é contar a “história do rio Vez”

No entanto, como um museu ao ar livre, pode-se entrar em cada um dos pontos. Pode haver uma placa alusiva naquela área onde se está. Depois há outras, mais pequenas, onde se alerta para determinadas matérias. Vai-nos aparecendo informação sobre diferentes contextos. Mas, como um tudo, tem de existir um ponto de acesso, de informação, de entrada.

FLUIVIVEZ – PONTO DE ENCONTRO

O Fluvivez é o ponto de acolhimento do Museu de Água ao Ar Livre e está numas instalações recuperadas na sede do concelho. “Onde é possível e queremos, acima de tudo, que seja o ponto de partida para uma visita ao museu. É como a gente entrasse na sala de receção, tem vária informação, mas o que interessa é que as pessoas sejam incentivadas a ir fazer o percurso (ou vários percursos) ao longo do rio”, sublinha João Esteves.

Essa receção funciona todos os dias, com exceção de domingo e segunda. “São centros municipais de informação e ambiente. Esse sítio promove também um conjunto de atividades ligadas ao rio, visitas a determinados aspetos no mesmo ou workshops neste espaço em que as pessoas, depois, vão ter ao rio ou ao percurso ver onde estão essas coisas a decorrer. Nele há um conjunto de atividades em que as pessoas se podem inscrever para participar”, refere o chefe do município arcuense.

Entretanto, durante o período de aulas há um programa mais especifico para os públicos escolares (de Arcos de Valdevez e outros concelhos).

“Aquilo é um espaço aberto onde damos a conhecer o nosso potencial. Este rio tem também muito das características dos outros, nomeadamente na questão da fauna e da flora, mas também mais algumas especificidades”, acrescenta.

MELRO – D’ÁGUA INDICA BOA ÁGUA

Uma dessas grandes especificidades é o facto da nossa mascote ser melro-d’água. “Pelo facto de nele predetar, significa que se trata de um bioindicador. A presença desse pássaro aqui no rio e ele se alimenta de insetos, quer dizer que não é poluído e que a água é boa. Se existissem problemas em torno da água, não estaria, não se poderia alimentar”, nota.

A intervenção no rio teve o apoio do programa Norte 2020, nomeadamente na parte do Património Natural. Tem a ver com o facto de todo este troço fazer parte da Rede Natura 2000 (rede europeia de locais de excelência ambiental). Da intervenção fazia parte a sinalética, a recuperação de alguns açudes, de alguns trajetos, uma parte de passadiços e a parte toda da produção de conteúdos. Também a parte relativa ao arranjo desse posto de acolhimento.

SEGUNDA FASE PROVÁVEL EM 2021

Há 13 açudes no troço de 20 km em que foi recuperado e, destes, nove foram intervencionados. “Foram  aqueles que precisaram”, observa João Esteves.

O próximo passo será a segunda fase, uma dúzia de quilómetros entre Vilela e Sistelo.

“Queremos encontrar financiamento para levar o projeto até Sistelo. Para tentar atrair, pelo menos, aquela parte ‘mais visitável’ do rio Vez e que nos faz chegar lá. É isso que, agora, vamos tentar. Encontrar um financiamento para fazer essa última parte. Um valor similar ao da 1ª fase. Estamos a ver se conseguimos fazer… encontrar um financiamento ou mais que um financiamento, inclusivamente com o orçamento da Câmara Municipal. Umas ações serão concretizadas provavelmente, em 2021. Mas haverá outras no âmbito do Museu ao Ar Livre em 2020.”

Quantas pessoas já terão usufruído desse Museu ao Ar Livre? – quisemos saber.

“Não temos essa informação. Só em Sistelo é que temos um eco-counter. Mas são uns largos milhares. Ainda num dia destes percorri cerca de 12 km da ecovia e cruzei-me com muitas pessoas. O troço da ecovia que, neste momento, corresponde ao museu da água ao ar livre já foi, seguramente, usado por uns milhares de pessoas neste verão. Claro que a esmagadora maioria não são de Arcos de Valdevez, tendo em atenção a dimensão e o desenvolvimento que tem”.

Para o edil arcuense, o Museu de Água ao Ar Livre vai “reforçar, renovar e ampliar o papel de Arcos de Valdevez como porta da mais importante reserva da biosfera existente no noroeste peninsular – o Parque Nacional Peneda-Gerês /Parque Transfronteiriço Gerês/Xurés”.

Com a sua criação, pretende-se “preservar o mais possível as condições naturais do território e as marcas da atividade humana que, durante séculos, soube, de uma forma equilibrada, tirar partido da água e dos ecossistemas que lhe estão associados, transformando este vasto património em pilar do desenvolvimento socioeconómico do concelho”.

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