Quais as cores do Alto Minho?

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Quais as cores do Alto Minho?

Caros leitores da coluna de Turismo nesta revista que representa o Alto Minho, já parou para pensar sobre esta questão? Com que cores nos identificamos nós? O verde, dos campos verdejantes, do vinho fresco e refrescante ou dos GreenWays que percorrem montes, rios e vales um pouco por todo o Território? Temos também um pouco de nós no amarelo torrado, o do outono, das vindimas, dos carvalhos no outono do Parque Nacional da Peneda-Gerês. E que dizer do branco, que nos lembra o topo das serras no inverno, que pede uma lareira bem avermelhada e rubi do vinho tinto que pinta a malga. Pode o Alto Minho também ser azul, o do mar e o dos rios, onde se pesca, navega e mergulha?

Como se complementam estas cores entre si e como se pode introduzir novas simbologias e produtos turísticos? No marketing, a colocação de uma marca junto dos seus potenciais alvos também se rege por códigos de cores. Basta pensar em algumas das marcas de produtos e serviços com que convivemos diariamente para verificar isso: há bancos que se associam ao azul (cor que transmite confiança e segurança), há marcas de combustíveis verdes (para induzir a ideia de paz, saúde ou sustentabilidade!), muitas marcas de tecnologia recorrem ao vermelho para transmitirem sensações de emoção, juventude e energia. 

No contexto do marketing turístico de destinos, as cores desempenham por vezes um papel um pouco negligenciado. São poucos os concelhos em Portugal que percebem como se conseguem passar mensagens explícitas e implícitas através de um logótipo cromático. Uma excepção notável a esta regra é a da cidade do Porto, com o tremendo Porto. (leia-se “Porto ponto”, em tons de azul e branco).

Muitas mensagens são assim transmitidas : uma cidade que se revê num clube de futebol e vice-versa; um lugar que não gosta de rodeios, directo, onde a sua gente é franca, sem coisas supérfluas. Chapéu para a empresa que criou a identidade gráfica da cidade (em 2014) e que ajudou a reforçar a própria identidade dos seus habitantes.

E por cá entre nós, prestamos atenção a estes códigos? Talvez o exemplo que salte mais à vista seja a recente mudança gráfica operada em Paredes de Coura, com o seu “Coura Sem Paredes”. A campanha executada pela empresa “Indústria Criativa” joga com a palavra “Coura”, sempre colocada a branco em fundo preto ou em fundo icónico (com uma guitarra, uma peça de Lego ou uma semente a germinar). Equilíbrio, calma, pureza, honestidade são sensações que se colam a esta linha gráfica. Por outro lado, em Monção, na última Feira do Alvarinho a cor âmbar (ligada à cor das uvas na colheita) serviu de pano de fundo a um conjunto de figuras icónicas como a “Dona Rosca”, o “João da Raya” ou a “Coquinha”, numa tentativa bem conseguida de transmitir jovialidade, optimismo e alegria.

Mais recentemente, junta-se o azul a esta paleta de cores. Viana do Castelo já há muito que o vinha fazendo de modo isolado (enquanto destino náutico). Agora, todo o Território do Alto Minho junta esta cor à sua oferta de produtos turísticos core (principais), ao promover de forma que se espera consistente e sistemática os seus rios, em complemento à costa atlântica, onde já tínhamos eventos de vela, surf, bodyboard, remo ou kitesurf. Desta vez, a tónica é colocada nos rios, na natureza e no mar. A lista de actividades com o nome genérico de BlueWays inclui Bodyboard, Canoagem, Canyoning, Kitesurf, Passeios de Barco, Rafting, Stand Up Paddle, Surf, Windsurf, Pedestrianismo, Hidrospeed e visitas a lagos e cascatas. Esta é uma visibilidade que a região carecia há muito. Apenas poderá haver algumas preocupações a nível ambiental que convirá avaliar de forma isenta e rigorosa.

Como se poderá concluir, o Alto Minho tem cores e muitas. Este colorido turístico tem estado a ser implementado de forma consciente e tem recorrido algumas vez a especialistas em marketing turístico, o que revela uma crescente (e positiva) profissionalização nos organismos gestores de destinos (como as Câmaras ou as Comunidades Intermunicipais), o que nos permite confiar num futuro mais cor-de-rosa no quadro do Alto Minho turístico.

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