QUEM SEMEIA EVENTOS…

0

Quem não conhece o provérbio que dá conta das más acções que um dia trarão dissabores maiores? Nesta edição da secção “Turismo”, proponho que se olhe com atenção não para a meteorologia ou para a sabedoria popular mas sim para uma faceta que é decisiva na hora escolher o destino para um passeio de fim-de-semana, uma escapadela (romântica ou nem por isso), umas pequenas férias ou mesmo umas boas férias de verão: os eventos turísticos, sejam eles desportivos, musicais, ou puramente recreativos. A par desta análise inclui-se um calendário de eventos disponíveis no Alto Minho e que os diferentes tipos de públicos/ visitantes/ turistas podem desfrutar até ao mês de Junho de 2016.

Os eventos ganham cada vez mais relevância económica e social, uma vez que contribuem de forma cada vez mais notória para a coesão social de uma cidade, região ou mesmo um país, ao mesmo tempo que geram receita por via do turismo que atraem. Por exemplo, quem semeia um evento como o Festival Vodafone Paredes de Coura vai colher vários frutos: orgulho local e regional por ter um dos melhores dos festivais de verão do país, notoriedade do destino (que serve para colocar Paredes de Coura na agenda e no radar de outros eventos e de outros públicos) e ainda receitas para a restauração, alojamento e demais negócios directa ou indirectamente ligados ao festival (cafés, supermercados, serviços, alojamento, etc). Pergunte-se a Viana do Castelo se pode passar sem a Senhora da Agonia, Caminha sem a Feira Medieval, Monção e Melgaço sem as Feiras do Alvarinho ou Ponte de Lima sem a Vaca das Cordas?

Disto ninguém tem dúvidas. Agora a questão é: será que as cidades/ vilas precisam de ser reconhecidas pelos eventos que organizam? Se sim, será possível oferecer outros eventos igualmente relevantes? Para além dos factores históricos e culturais associados a estes eventos mais sonantes, alia-se à organização dos eventos a necessidade da competitividade, e esta está ligada aos factores que distinguem as gentes de determinado local em relação aos seus vizinhos. E este movimento é global, ou seja, em muitos lugares do mundo se procura o que é único na sua própria comunidade, reforçando-se assim a auto-estima e promovendo o que é de todos para que, quem visita partilhe um pouco do que é nosso. Por isso, um determinado concelho assume que, para ser competitivo, ele tem que oferecer eventos que mais ninguém ofereça e que vá rebuscar a origem de um determinado prato, uma determinada tradição, uma determinada celebração.

Existem várias respostas possíveis para as perguntas anteriores. Há factores políticos e dinâmicas locais/ regionais que passam ao lado de qualquer visitante/ turista. Se nos colocarmos na posição de um turista que esteja a pensar vir a determinado evento, provavelmente pensamos no seguinte:

Vai valer a pena gastar este dinheiro na viagem? Será que nos vamos divertir? Será seguro? Será que vou aprender alguma coisa? Se não for agora, posso ir noutra altura? Será que vale a pena passar mais do que um dia lá a fazer outras coisas?

A lista de perguntas não termina aqui nem podia, tantas são as perguntas que inconscientemente se fazem antes da decisão de viajar por turismo. Mas alguns factores são preponderantes para preferir um destino a outro, uma época a outra, uma oportunidade a outra. Todos sabemos da extrema riqueza que caracteriza Portugal, que se concretiza nas celebrações históricas, culturais e sociais, acabando muitas vezes sentados a uma mesa bem farta! Mas será que o Alto Minho precisa de ser competitivo entre si? Será que precisamos oferecer no mesmo fim-de-semana o mesmo que o concelho vizinho? Será que podemos oferecer eventos complementares entre si e variados no tipo de público a quem se destinam? Será que existe a sensibilidade em quem planifica e vontade de cooperação em quem decide no Alto Minho? O calendário que se sugere inclui eventos que têm um potencial de atracção turística maior ou menor, mas são relevantes na construção de um destino turístico. Eventos desportivos (ligados à saúde), recriações históricas, mostras eno-gastronómicas e culturais, celebrações religiosas e pagãs, concertos com nomes sonantes na música e culturas nacionais vão estar em cartaz até Junho de 2016. Agora cabe-lhe a si escolher, discutir, aprender, desfrutar. Lembre-se de completar o título: Quem semeia Eventos…

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here