Realidade Aumentada :: Da madalena ao cupcake!

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Realidade Aumentada :: Da madalena ao cupcake!

Quando há uns anos foram aqui mesmo nas páginas de Turismo da Vale Mais analisada a eficiência dos sites dos 10 municípios do Alto Minho, fiquei a saber que algum incómodo nessa altura sentido deu lugar a actualizações bem positivas da imagem transmitidas pelos sites. (ver https://goo.gl/EFfkLu – Vale Mais )

Hoje, volvidos mais de três anos, alguns dos 10 municípios alto-minhotos fizeram “refresh”. Provavelmente porque perceberam o valor de causar uma boa primeira impressão. Mas hoje, nos dias rápidos dos smartphones, turistas e nativos digitais, a nossa realidade ajusta-se ou pode ser Aumentada?

As diferentes estratégias seguidas quer pelas autarquias quer pelos organismos regionais ou nacionais (Turismo Porto e Norte de Portugal e Turismo de Portugal) são necessariamente dinâmicas e prospectivas, isto é, tentam ser adaptáveis às circunstâncias voláteis do mercado turístico e tentam antecipar tendências. Todos sabemos que a concorrência é feroz e inteligente nesta área. Por isso mesmo, a realidade que nos rodeia é em si mesma uma oportunidade para ser tornada ainda mais apelativa.

Darei um exemplo comezinho no âmbito da pastelaria: se fizermos um queque e o metermos num saco plástico, chamamos de “madalena” e vale 30 cêntimos. Se ao mesmo acrescentar um pouco de açúcar no topo, lhe colocar umas pepitas de chocolate, passa a ser “queque de chocolate e vale 80 cêntimos. Mas se à mesma massa lhe acrescentar uns frutos silvestres e lhe colocar uns enfeites coloridos bem como um “chantilly” gostoso, passa a ser um “cupcake” e vale 2 euros! A Realidade Aumentada (RA) faz isso mesmo com a realidade, aporta um valor acrescido, que não só enriquece a experiência de quem dela desfruta, como atrai novos potenciais clientes, que não só um nicho muito reduzido. Afinal, todos nós gostamos de doces!

Mas afinal o que é isto de Realidade Aumentada? Não é nada mais, nada menos do que uma interligação entre a realidade de um local (seja um monumento, seja um evento, presente ou passado) e uma forte dose de tecnologia, que permite ao seu “utilizador” ter mais e melhor conhecimento sobre esse local.

Por exemplo, imaginemos os visitantes a entrarem num palácio e serem recebidos por um holograma do seu dono original do século XVII; ou talvez visitarem um castro no alto de um monte de Monção e apontarem o seu smartphone e perceberem como se organizavam dentro das suas casas reconstruídas como que por magia virtual.

Fantasia? Não, de todo. Existem já destinos turísticos que são promovidos desta forma: Lisboa (Rewind Cities: Lisbon), Londres (Streets of London Museum) e mesmo o nosso Porto (no World of Discoveries). Pode assim estar disponível numa simples app, pode estar associada a um código QR junto a um monumento ou mesmo como guias fornecidos por um museu.

Será aumentar muito a nossa realidade no Alto Minho pensar desta forma estratégica?

Quais as principais vantagens da RA quando aplicada a um território como o nosso? Múltiplas, eu diria:

1_Unir os espaços temporais do passado e presente

Imagine-se uma Deu-la-Deu a lançar os pães Muralha de Monção abaixo ou o Recontro de D. Afonso Henriques e D. Alfonso VII por terras de Valdevez a aparecerem no seu telemóvel com um realismo incrível…

2_Mais e melhor conteúdo

Entender a construção das Cardenhas de Val de Poldros (Monção) ou da Gêmea (Arcos de Valdevez) ou da Citânia de Santa Luzia ganha muitos mais contornos que permitem valorizar a arquitectura e os seus arquitectos;

3_Disponível 24 horas por dia

Quaisquer que sejam os interesses dos visitantes e o momento em que decidem ter essa experiência de RA, a app está sempre disponível, e a probabilidade de que se torne memorável e recomendável a outros é maior;

4_Facilidade de utilização

Como a RA parte da utilização de um dispositivo familiar (o smartphone), a sua utilização por diferentes tipos de “utilizadores” terá altos níveis de satisfação neste capítulo.

5_Permite diferenciação

Ao permitir destacar um destino turístico dos demais, atrairá novos e mais diversificados públicos, muito provavelmente visitantes/ turistas que valorizam este tipo de experiências, que comprovadamente gastam mais no destino que visitam.

Tal como em 2015 se deu um salto qualitativo nos sites, estou esperançado que as autarquias aumentem a sua capacidade de olhar para a realidade e tirar dela o melhor proveito. Ninguém tem que ser um famoso chef para passar da madalena ao cupcake!

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