Opinião Luís Ceia | Reindustrialização ou nova industrialização

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Palavra lançada pelo então ministro da Economia Álvaro Santos Pereira que referia a necessidade de o País “…ter uma clara agenda de reindustrialização” com políticas orientadas para aposta nos sectores produtivos da nossa indústria com especial destaque na exportadora.

Álvaro Santos Pereira lançou no léxico Português uma nova palavra, ou pelo menos tornou-a uma das mais citadas pela média económica portuguesa nos últimos tempos. Em termos de alcance mediático a palavra reindustrialização está para o meio empresarial como a celebre “narrativa” está para a política nacional dos últimos tempos.

Discuta-se o termo, reindustrialização ou nova industrialização, mas a pertinência é claramente uma lufada de ar fresco para a economia nacional. Hoje poucos duvidam que a inovação e empreendedorismo devem priorizar a produção de bens, recentrando a economia portuguesa na produção de bens e serviços em sectores competitivos, nomeadamente bens transaccionáveis, afastando os recursos nacionais, públicos e privados de actividades improdutivas.

Os incentivos à desindustrialização do País foram muitos nos últimos anos: o sistema financeiro especializou-se no risco imobiliário, focando-se essencialmente na construção e imobiliário, resultando daqui pouca competência técnica na avaliação de projectos empresariais; o pouco investimento em infra estruturas de transporte de bens transaccionáveis, veja-se o desinvestimento no transporte de mercadorias através da linha férrea; a decrescente aposta no ensino profissionalizante e as políticas governativas orientadas para a as obras públicas e crescimento de sectores não transaccionáveis.

Como consequência, Portugal nos últimos 30 anos, transformou-se num País de serviços. Não se conseguiu conjugar a indústria com a aposta nos serviços, nomeadamente, a que foi feita no sector do Turismo. Venderam-nos o chavão de que a produção ia para oriente e outros mercados emergentes. Os Europeus viriam cá gastar aquilo que ganhavam com a inovação associada à criação das marcas que os de mão obra mais barata produziriam. Só que a Europa que se habitou a viver da especulação financeira e da subcontratação também não estava preparada para o crescente know-how destes países ditos emergentes. O paradigma alterou-se, a europa e Portugal em concreto tem de voltar a criar riqueza solida, e isto faz-se produzindo. Não pretendemos voltar à revolução industrial, às indústrias sujas, poluentes, inseguras, mas sim a uma nova industrialização que alia políticas de responsabilidade social e ambiental com competitividade. Isto é possível se a inovação e o empreendedorismo se voltarem para a indústria. Uma industria de alto valor acrescentado, que impulsione fortemente as exportações e substitua as importações, apostando nos sectores produtivos associados ao território e aos nossos recursos naturais. Para que isto aconteça tem de haver uma aposta latente no conhecimento, associado às universidades e centros de investigação, de forma criar-se transferência de tecnologia para as empresas e administração local.

O Alto Minho deve prosseguir este caminho, apostando em novos produtos, muitos deles resultantes da transformação de recursos endógenos, capazes de gerar riqueza, aumentar as exportações e reduzir as exportações. Mas tal como no panorama nacional precisamos do apoio do ensino, um apoio virado para o tecido empresarial através de investigação aplicada e direccionada para as empresas. Mas para isto, urge investigação de qualidade, infra-estruturas que faltam concluir, nomeadamente requalificação do Porto de Viana do Castelo, através do melhoramento dos equipamentos de elevação e dos seus acessos rodoviários, ferroviários e marítimos, a conclusão de alguns troços rodoviários de interligação e claro, a requalificação da linha do Minho.

O Alto Minho no último ano em termos relativos foi a região que maior crescimento das exportações com reflexos positivos na balança de transacções, contribuindo para o aumento do PIB do País. Face a isto, concluímos que apesar de muitas obras desnecessárias, no cômputo geral os euros colocados nesta região resultaram em criação de valor. Por este motivo assiste-nos o direito e a razão de continuar a reclamar investimento para esta região, nomeadamente para o apoio a actividade empresarial!

Luís Ceia, Presidente da CEVAL

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