Luís Ceia | Requalificação do Aeródromo de Cerval

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Existem actividades de lazer e desporto que para além de cumprirem o seu propósito, são também potencialmente geradoras e indutoras de riqueza, seja por investimento directo, através do seu usufruto, ou pela capacidade de servirem de âncora a actividades sociais e económicas nas suas imediações. Talvez o exemplo mais conhecido e esclarecedor desta realidade, seja a existência de um campo de golfe numa determinada região. Para além da prática de uma actividade saudável, propicia na maioria das ocasiões a criação de um projecto imobiliário e acaba também por sedear um conjunto de serviços de apoio nas suas proximidades. Este tipo de empreendimentos começam a surgir na nossa região. Em Ponte de Lima, ao golfe, podemos acrescer a actividade equestre, que tem o seu ponto alto na Feira do Cavalo. As actividades náuticas em Viana, têm também um potencial enorme se continuarem a ser uma aposta contínua e persistente do município.

Acresço aqui uma outra, que apesar de se sitiar na região desde 1992, não tem sido devidamente valorizada. Falo-vos do aeródromo do CERVAL cuja localização raiana à Galiza, poderá constituir o elo de transição entre as redes de aeródromos do litoral português e norte de Espanha, zona de tráfego com muito boas perspetivas de crescimento. Estrutura que alberga mais de meia centena de aviadores, a grande maioria deles da vizinha Galiza, e que divide o seu espaço paredes meias com os municípios de Cerveira e Valença. Estes dois municípios, na pessoa dos seus presidentes, tiveram a sensibilidade de perceber o valor estratégico que uma actividade destas poderá ter para a região, e muito em particular para o Vale do Minho. O trabalho conjunto que estes dois municípios em parceria com a CEVAL se propõem fazer, permitirá dotar o aeródromo de melhores condições e ampliar a oferta quer em diversificação, quer em qualidade.

As potencialidades são imensas, o know how já la está, ou seja o mais difícil, os aviões, os pilotos, o networking … Importa agora melhorar as infra-estruturas, dotando-as de qualidade e segurança.

Os baptismos de voo, o aeromodelismo, o para-quedismo, entre outras, podem alargar a actividade lúdica no espaço da aeronáutica. Mas para além disso, importa também e muito, diversificar as actividades evadas a cabo. Essa diversificação para além do âmbito aeronáutico, poderá contribuir para constituir uma referência, local ou regional, em termos de atividades lúdicas ou sociais. A área social que poderá contemplar ofertas tão variadas como: bar, restaurante, piscina, ginásio e um ponto de observação dos movimentos das aeronaves, será certamente também um factor indutor de desenvolvimento. Mas outra valência a não descurar será a vertente económica directa, através da potencialização de um conjunto de serviços, como por exemplo: táxis aéreos que façam ligação com o aeroporto de Lisboa e o do Porto, os serviços de manutenção a prestar, a exploração de um parque anexo para auto caravanismo e a instalação de operadores turísticos locais.

Este empreendimento constitui um exemplo de manifestação da profícua e continua interação entre o Norte de Portugal e a Galiza, reafirmando o espaço da Euro Região no contexto europeu. Importa aproveitar estre potencial, dotando o espaço das condições, para este se afirme como um projeto de qualidade de características únicas no Noroeste Peninsular.[1]

Luís Ceia, Presidente da CEVAL


[1] Os meus agradecimentos ao Sr António Fortuna que amavelmente me enviou um texto seu, “REQUALIFICAÇÃO DO AERÓDROMO DE CERVAL – Uma reflexão” 

1 COMENTÁRIO

  1. Como jornalista alto minhoto, já perguntei a mim próprio, agora que se fala na construção de um novo aeroporto, porque razão Vila Nova de Cerveira e Valença não aproveitam os fundos comunitários para uma candidatura para a ampliação doi aeródromo de Cerval. Porquê? agora que o turismo está para ficar, porque não desenvolver aquela infraestrutura aeroportuária, de modo a ter uma ligaçâo diária para o porto e lisboa, como acontece com Vila Real e Bragança?. O Alto Minho precisa dum aeroporto ou um grande aeródromo para captar o turismo espanhol mas de outros países. O Sr.Luis Ceia tem toda a razão. O Alto Minho precisa de investimento nacional e estrangeiro. mas para< isso precisa de boas vias de comunicação, rodoviárias, ferroviárias e aéreas. sem isso , o AM será sempre um parente pobre do nosso país. cumprimentos antero sampaio

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