RICARDO FERREIRA :: A consagração de um mestre da aguarela

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Ponte de Lima está a viver um apaixonante “terramoto” artístico, que tem vindo a deslumbrar a comunidade limiana — de forma transversal —, tendo como “epicentro” o artista plástico emigrante — o limiano Ricardo Ferreira.

Tudo isto porque Ricardo, nascido há 56 anos numa das mais genuínas e populares ruas do centro histórico da antiga “vila realenga”, — a rua de “Dentro da Vila” — passou a divulgar nas redes sociais, com uma regularidade surpreendente, as mais esplendidas aguarelas, por si concebidas, que retratam com uma narrativa estética viva e eloquente, os infindáveis ângulos dos idílicos recantos da bucólica e poética vila granítica.

Se a saudade das terras do Lima inspirou o “diplomata-escritor” António Feijó para a composição dos mais deslumbrantes textos literários, esse sentimento — tão intensamente limiano — serviu de ímpeto para que Ricardo, a partir de terras da Suíça, onde se encontra radicado há 30 anos, passasse a retratar e a difundir, a um ritmo vertiginoso, a fisionomia da esplendente e paradisíaca vila que o viu nascer.

Com efeito, para além da afabilidade, da generosidade e da simplicidade que o artista irradia — com uma fulgência ofuscante —, Ricardo transmite-nos um ardente e contagiante “limianismo” e uma mística e penetrante paixão pela sua vila “mátria”.

Enquanto mestre da paleta, Ricardo moldou o dom natural da sua inteligência artística, refinou a sua sensibilidade estética, apurou as técnicas do desenho e da pintura, e, hoje, presenteia-nos com um original e requintado talento criativo.

Talento de um génio, que o mago do pincel diz ter recebido de seu pai — Olímpio Manuel —, um distinto mestre na arte da alfaiataria, que marcou, durante décadas, a sociedade limiana.

AS CORES E OS TRAÇOS QUE VESTEM PONTE DE LIMA

Ricardo transformou-se num prodigioso retratista, criou um estilo distintivo de comunicar — passou da fase “a preto e branco” para a fase “limianista” — e transporta, até nós, os espaços mais pictóricos da sua terra-mãe, através de um grafismo que a todos enfeitiça pelo seu aristocrático esplendor.

Nos retratos, Ricardo joga magistralmente com as nuances da tessitura da cor, mistura os pigmentos, doseia os tons, estabelece os cambiantes e trabalha os brilhos e, no final, veste o pitoresco casario com pinceladas multicolores, onde ressaltam, umas vezes, os matizes luzentes e as tonalidades doces e harmoniosas e, outras, as cromias garridas e exuberantes.

O talentoso artista, ora utiliza os traços firmes e precisos para ilustrar os rendilhados da cantaria, como se fossem delicadas linhas de filigrana, ora contorna, em riscos cavados e arredondados, as lajes graníticas dos lanços intemporais das velhas muralhas.

É caso para se afirmar que estamos a assistir à consagração de um eminente artista da paleta, um homem do povo, que veste com engenho e mestria os recortes mais românticos, mais formosos e mais pitorescos da paisagem urbana medieval da lendária vila limiana.

Ricardo ocupa hoje — fatalmente — um lugar cimeiro no mundo das artes plásticas limianas, sobressaindo, com incontestável merecimento, como o mestre “das cores e dos traços que vestem Ponte de Lima”.

Tal como Torga fez com a sua terra transmontana, Ricardo — que nasceu com a “alma limiana” gravada na essência da sua genética —, abraçou Ponte de Lima como o seu “reino maravilhoso”, com quem vive uma comovente e enternecedora paixão, festivamente celebrada na fascinante policromia das suas telas. //

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