Sporting Clube Caminhense :: Novo Posto Náutico é o desejo

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O Sporting Clube Caminhense foi fundado no dia 14 de Dezembro de 1926, tendo sido a filial n.º 49 do Sporting Clube de Portugal. Inicialmente, dedicava-se ao futebol e ao ténis. Foi, nessa altura, que se tornou filial do Sporting. No entanto, no ano 1930, o remo nasceu no Sporting Clube Caminhense pela mão de Manuel Augusto Fernandes. Rapidamente se tornou numa potência nacional do remo. 

Quisemos saber qual é o estado atual do clube e por isso fomos até a Praça Conselheiro Silva Torres, em Caminha, e, na sede do clube, conversamos com Pedro Fernandes, o presidente.

Natural de Seixas, entrou para o clube com 9 anos. Hoje, com 38, sonha com a construção de um novo Posto Náutico, que receba atletas, estágios, sócios e simpatizantes e que seja funcional.

Durante os anos que passou no clube, Pedro Fernandes foi atleta, treinador, presidente e, no primeiro ano à frente da direção (2014), acumulou os três cargos.

Para além dos projetos e desafios que o clube tem, desde que assumiu os destinos desta coletividade tem procedido à restruturação e aquisição de equipamentos que mantenham o clube preparado para abraçar novos desafios.

“Todos os dias pensamos em evoluir e queremos sempre mais para dignificar as cores do Sporting Clube Caminhense”, refere.

Um novo Posto Náutico

Para o presidente, o grande objetivo está bem traçado.

“Temos um projeto que será a concretização de um sonho. A construção de um Posto Náutico novo. Queremos ter as melhores condições para os atletas, sócios e simpatizantes”.

“Também para acompanhar o desenvolvimento dos outros clubes, temos de dar este importante salto e investir no aumento das instalações, capazes de responder aos desafios futuros”.

“O local seria o mesmo e, numa primeira fase, o importante é passar aquelas instalações para posse do clube ou do Município, porque, neste momento, isso, ainda não acontece. Ainda não está comprovado de quem é propriedade aquele local. Temos vindo a trabalhar no sentido de perceber a quem pertence aquela edificação. Tudo indica que seja propriedade da APA -Agência Portuguesa do Ambiente – Ministério Ambiente. Se isso for comprovado, acredito que tudo será mais fácil”, acentuou.

O CLUBE

A aposta passa pela formação.

“Temos investido muito nas camadas de formação. Essa é uma lacuna que existe e que esperamos, daqui a 10 anos, esteja dissipada. Queremos que os atletas, que hoje estamos a formar, sejam o futuro do clube”, asseverou.

Atualmente, o Sporting Clube Caminhense tem, aproximadamente,  uma centena de atletas distribuídos pelos escalões de benjamins, infantis, iniciados, juvenis, juniores, seniores e veteranos.

Outro objetivo é que os atletas sejam provenientes do concelho. “Somos um clube do concelho de Caminha. Nesse sentido, temos um protoloco com o Agrupamento de Escolas de Caminha e o Município para que os alunos, até ao 9.º ano, possam experimentar as aulas e ter um contacto direto com o remo na água e indoor e, assim, podermos cativar os mais jovens” disse.

Para o presidente, o projeto tem corrido bem visto que, dia após dia, surgem mais jovens interessados em praticar a modalidade.

Treinos e provas

As instalações do clube estão abertas todos os dias para quem possa treinar. No entanto, as horas de maior fluxo são das 17h00 às 21h30.

“Há treinos todos os dias, dependendo dos escalões. No entanto, o clube está aberto todo o dia e podemos treinar a qualquer hora, desde que acompanhados pelo treinador ou seguindo um planeamento de treino”, atesta.

“Havendo condições climatéricas favoráveis e o rio estável, a prioridade é treinar na água. Não havendo estas condições, o treino é indoor, tanto no tanque, como no ergómetro”.

As provas são inúmeras ao longo do ano.

“Na primavera e verão, devido ao clima, decorrem mais; mas, no inverno, dão-se as regatas de maior distância”.

Destaque, ainda, para o Campeonato Nacional de Fundo, com distâncias de 5 a 6 quilómetros; o Campeonato Nacional de Velocidade; e a Taça de Portugal. No entanto, durante o ano, decorrem regatas organizadas pelos clubes em diferentes zonas do país.

“Em Caminha organizamos regatas com alguma história. A mais importante talvez seja a Taça Presidente da República que já vai para a sua 18.ª edição”, garante.

Outra aposta do clube é a Regata de Remo de Mar.

“Fomos os primeiros campeões nacionais desta modalidade. Investimos em dois barcos de remo de mar e participamos no campeonato do mundo”, acrescenta.

O Remo no Alto Minho está a crescer

““O remo tem evoluído muito. Temos, bem próximo de nós, dois exemplos disso, em Cerveira e em Viana do Castelo. Antigamente, a forma de trabalhar e de cativar atletas era diferente. Hoje conseguimos ter muitos jovens interessados na modalidade e isso faz com que ela cresça”, observa.

“No entanto, é necessário material que dê resposta a essa procura. Chegamos a um  ponto que queremos mais atletas, mas precisamos de mais espaço e de mais material para dar essa resposta”. Um barco para um atleta de formação, de um lugar, chamado skiff, pode custar, no mínimo, 2 500 euros. Os remos podem custar cerca de 400 euros. Falando de barcos de competição, esses valores sobem para 8 000euros. O maior barco, o shell (8 com timoneiro) pode chegar, facilmente, aos 50 mil euros”, certifica Pedro Fernandes.

No entanto, crescer é um objetivo claro”, diz.

O líder do clube não tem dúvidas que o clube está no topo nacional.

“A nível nacional, a nossa projeção é indiscutível. O Caminhense está no topo dos clubes mais emblemáticos do país. Este ano participamos numa regata em Londres, onde estavam presentes cerca de 400 equipas de todo o mundo. Isso é bastante representativo do patamar que este clube já atingiu”.

No concelho, o Sporting Clube Caminhense é mesmo uma bandeira de Caminha.

“Este clube é uma das maiores forças que o concelho tem. É o clube mais representativo do concelho e o remo é a modalidade que mais longe leva o nome de Caminha. Sabemos que é uma modalidade cara, que implica muitos investimentos, mas a história deste clube fala por si e os êxitos alcançados neste 90 anos são evidentes”, argumenta.

Ténis, natação e uma sede renovada

Para além do Remo, o clube também tem uma escola de ténis.

“Recebemos o desafio de Rui Teixeira, um profissional da modalidade que trazia boas ideias para implementar. Como nestas instalações já existe um court de ténis, foi fácil iniciar esta secção. A escola tem-se desenvolvido e hoje temos mais de 20 praticantes, o que nos levará a fazer obras no campo, para melhorar, ainda mais, as condições desta modalidade”, declara.

“Depois, também vamos estrear a secção de natação. Entendemos que existe essa lacuna no concelho e consideramos que a natação e o remo devem estar automaticamente ligadas. É impensável um remador ir para o rio treinar e não saber nadar”.

“Como por vezes esse é um medo dos pais, que tem receio que o barco vire, consideremos que faz todo o sentido termos esta valência no nosso clube”.

Por fim, anunciou que a própria sede vai receber obras.

“Pretendíamos fazer algo maior, mas não é possível. A nossa situação financeira não o permite, apesar de ser bastante saudável e capaz, temos de ser comedidos e não podemos dar passos maiores que as pernas”, diz.

E acrescenta: “Não posso deixar de agradecer a ajuda do município, porque, sem ela, esta caminhada era impossível. Felizmente, temos o apoio deles e de entidades privadas e, só assim, é possível comportar uma despesa mensal de, aproximadamente, 3 mil euros.”

“Não tenho dúvidas nenhumas que os remadores depois de passarem pelo Sporting Clube Caminhense, pela adversidade e pela dureza que é treinar diariamente, acabam por ultrapassar com outra facilidade e com outra destreza, os desafios que, diariamente, surgem na selva urbana” 

Pedro Fernandes

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