Suplementação para a cartilagem

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Quando pensamos em suplementos para as cartilagens associamo-los, rapidamente, a processos de osteoartrose (artrose) dos nossos avós, mas a verdade é que, cada vez mais, são utilizados em populações mais jovens, principalmente atletas.

Falar em lesões das cartilagens é pensar logo em mau prognóstico. Não faltam exemplos de atletas que acabaram as suas carreiras desportivas precocemente e muitos outros que ficaram com incapacidades.

As lesões das cartilagens podem ir desde lesão superficial (grau I) até ao atingimento do osso subcondral (grau IV). Podem ser de origem traumática, predominantemente em jovens, visto que numa idade avançada a degeneração natural deste tecido, devido à sua fraca capacidade de regeneração, leva a artroses – degenerativa. Os pacientes com lesão da cartilagem articular podem apresentar dor articular, edema (inchaço), inflamação e rigidez articular.

Infelizmente não tem sido possível parar, atempadamente, a progressão destas lesões, uma vez que, quando se tornam sintomáticas já se encontram num grau de evolução considerável.

Mas porque motivo é tao difícil “tratar” a cartilagem?

A cartilagem articular não possui vascularização, nem inervação nem capacidade de regeneração.

No entanto, hoje em dia, existem imensas formas de prevenir ou atenuar os seus efeitos e a sua progressão.

O tratamento pode ser conservador ou cirúrgico. Aqui, só nos vamos focar no conservador/minimamente invasivo/não cirúrgico.

Suplementação oral de sulfato de glucosamina e sulfato de condroitina

De uma forma simplificada, estas duas substâncias usadas em conjunto ajudam na síntese de cartilagem, atuando ao final de alguns meses de toma. Já existem algumas fórmulas comparticipadas e algumas enriquecidas com vitamina C, agentes analgésicos e anti-inflamatórios.

Infiltração com ácido hialurónico

Também designada de viscossuplementação, tem vindo a mostrar-se extremamente útil no alívio da sintomatologia. Produto natural e as suas propriedades viscoelásticas fazem diminuir o atrito entre as superfícies de contacto mas também estimula a produção de líquido sinovial. Designado na gíria como “óleo para as dobradiças”.

Plasma Rico em Plaquetas (PRP)

Também conhecido por fatores de crescimento, tem-se mostrado verdadeiramente eficaz no alívio de sintomatologia. Ação chave na reparação tecidular. Resume-se à infiltração no local de uma porção do sangue, previamente retirado do paciente e centrifugado, rico em plaquetas. Este plasma rico em plaquetas contém uma concentração de 3 a 5 vezes maior de fatores de cicatrização do que simplesmente o sangue. Usado para reparar tendões, ligamentos, cartilagem, osso, pele – medicina estética, etc.

Colagénio oral/infiltração de dispositivos de colagénio

O colagénio está presente na constituição de todos os tecidos do nosso corpo e a cartilagem não é exceção. O colagénio tipo II presente na cartilagem confere-lhe elasticidade e resistência. A partir dos 30 anos o corpo perde capacidade de sintetizar colagénio em 1%/ano. Assim, existem as infiltrações peri-articulares de colagénio especifico para cartilagem e também pode ser administrado conjuntamente com o PRP e/ou ácido hialurónico. O colagénio oral é muitas vezes associado aos suplementos de glucosamina e condroitina.

Tratamento fisioterapêutico

A fisioterapia tem um papel duplo no que toca as cartilagens: quando existe lesão e enquanto agente preventivo de lesão ou progressão da mesma. Para a prevenção das lesões da cartilagem articular, o reforço muscular é a principal ação a realizar. Um bom suporte muscular faz com que as cargas exercidas sobre as articulações/cartilagens sejam diminuídas evitando a lesão. Se a lesão acontece, existem variadíssimas formas da fisioterapia ajudar no alívio da dor, diminuição do edema e inflamação, correção de eventuais desvios posturais e estruturais (escolioses, pé cavo ou plano, joelho varo ou valgo…) precursores de sobrecarga nas articulações. Melhores resultados quando associada aos anteriores agentes de suplementação.

Há vários aspetos a ter em conta quando se fala no tratamento de lesões das cartilagens. A idade; o grau em que se encontra a lesão; se é atleta ou não e qual a atividade que pratica, entre outros. Mediante um exato diagnostico, o profissional de saúde que acompanha deve eleger a/as melhores estratégias a adotar. O ideal é mesmo não deixar evoluir, quando existe dor ou crepitação (“ranger”) significa que algo já não esta bem e devemos respeitar o corpo! 

O tratamento é mais eficaz quanto mais precocemente é executado. A verdade é que estas técnicas têm apresentado bons resultados e até têm permitido atrasar a colocação de próteses em alguns casos.  //

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