“Território” :: Da Baixa Densidade à Oportunidade

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“Território” :: Da Baixa Densidade à Oportunidade

Hoje em dia esta é uma palavra que está definitivamente na moda: desde políticos locais aos nacionais, colunistas dos jornais e outros fazedores de opinião enchem a boca com um conceito originário da geografia e da biologia, dando a este conceito material, físico e concreto novos e importantes significados.

Hoje em dia, o termo é assim usado nos conceitos “Territórios de Baixa Densidade”, “Territórios deprimidos” ou “Território de Oportunidades” muito mais como um conceito mental e cultural. Sob um ponto de vista turístico, os destinos turísticos são representações sociais e mentais sensíveis e delicadas e devem, por isso, ser tratadas com carinho e respeito, porque influenciam a capacidade de proporcionar experiências turísticas significativas aos visitantes. Nesta edição proponho que se faça uma viagem pelos nossos Territórios do Alto Minho, nos seus 10 concelhos, nem que seja uma visão panorâmica, necessariamente curta.

Quando iniciei esta secção nesta revista, abordei esta questão de uma outra perspectiva: em “Aos olhos de um Turista” (Agosto 2014) tentei trazer uma visão apaixonada do Turismo no Alto Minho. Passados estes anos, a paixão transformou-se em algo mais profundo. Hoje, a compreensão dos gestos que transformam ou consolidam os mapas mentais sob a perspectiva do turista são mais penetrantes. Assim, nestes quase cinco anos de colaboração, o nosso Território mudou, mas fê-lo a várias velocidades e com nuances que convém detalhar:

A. Territorialidade vs Alianças

É hoje evidente que a noção de Território mudou para alguns; em vez de se assistir a uma competição feroz entre todos os concelhos do Alto Minho, é importante que se vão construindo alianças na promoção dos factores positivos como sejam a montanha, os produtos gastronómicos locais. Para além dos Domingos Gastronómicos da Lampreia, hoje é evidente a associação entre municípios, os primeiros promotores do destino, como se verifica entre Monção e Melgaço, com ganhos nas épocas mais baixas. No entanto, este conceito ainda é para muitos sinal de concorrência, cópia ou imitação. Claro está que só poderá servir para engordar os ânimos locais, perdendo-se escala. Veja-se a proliferação de feiras medievais, eventos evocativos do chocolate ou outros que tal. Não acrescentam em termos de saliência turística nem nas relações entre vizinhos. Abaixo com os muros e as desconfianças!

B. Promoção

Muito mudou nestes anos. É hoje muito mais fácil atingir as massas através das redes sociais, e o custo desta expansão do Território é ridiculamente baixo quando comparado com campanhas televisivas ou nos média impressos. Por outro lado, a promoção dirigida a públicos específicos (como é o caso de Ponte de Lima, que tem por hábito participar em várias Feiras de Turismo temáticas) ou as “operações de charme” dirigidas a bloggers, jornalistas de viagens ou a operadores turísticos é hoje em dia uma prática mais frequente, com evidentes ganhos. Por outro lado, a aposta clara de vários municípios em vídeos plenos de emoção preenchem hoje um espaço importante na promoção e na imagem que os potenciais visitantes formam do destino Alto Minho. Finalmente, a promoção via concursos televisivos como é o caso das “7 Maravilhas” (RTP), trouxe as luzes da ribalta para Monção (na Gastronomia, com a Mesa do Cordeiro) e Arcos de Valdevez (com os Socalcos de Sistelo). Apostas ganhas na promoção do Território.

C. Diversificação vs Especialização

Os concelhos do Alto Minho têm demonstrado uma certa ambivalência na gestão das representações que querem fazer passar para os potenciais públicos: se por um lado muitos deles se especializaram nos factores que identificam o concelho, por outro lado também experimentaram outros tipos de experiências e eventos. Daremos dois exemplos claros: é hoje evidente que Melgaço se tem esforçado por ser reconhecido como “o destino de natureza mais radical de Portugal”, e esta especialização tem sido acompanhada por diversos eventos apelando a públicos mais jovens interessados em Turismo de Natureza activo, sendo a gastronomia, cultura e o enoturismo complementares. Um outro caso é Paredes de Coura, onde o “Coura Sem Paredes” se constitui como uma especialização de um conceito de liberdade criativa, nascida no Festival de Paredes de Coura, que se estende hoje a eventos-bandeira como a Fan Weekend da Lego, a Escola do Rock ou “Paredes de Coura Vegetariana”.     

Por outro lado, assistimos nos últimos anos a alguns fenómenos de diversificação nos eventos oferecidos pelos diversos gestores da imagem mental projectada, com relevo para as câmaras municipais. Por exemplo, hoje é pacífico aceitar a ideia de que todos os 10 concelhos têm o potencial para organizar caminhadas ou Trails, embora nem todos o façam. No entanto, nem todos os esforços por oferecer uma panóplia de experiências turísticas são bem-sucedidas, executadas ou pensadas. Por vezes, as sobreposições que ocorrem afectam negativamente as representações mentais que se faz do Território, pelo que deverão levar a reflexões importantes dos decisores, porque representam usos de dinheiros públicos sem os devidos retornos em termos de receita imediata (mais estadias, maior fluxo de negócios) ou a médio e longo prazo (ganhos de reputação, estadias mais longas, mais e mais diversificados visitantes).

Como é possível de verificar por esta breve análise aos nossos “Territórios”, é hoje possível afirmar que as potencialidades e as oportunidades são hoje melhor compreendidas pelos gestores das imagens e das marcas dos 10 municípios do Alto Minho do que há 5, 10 anos atrás, fruto também do impulso que o sector do Turismo trouxe ao nosso país. Ainda que haja vários desafios a vencer (alguns deles bem profundamente culturais!), estamos melhor preparados para transformar a “Baixa Densidade Deprimida” numa “Terra de Oportunidades” não ao estilo americano, mas sim à nossa moda, a do Alto Minho!

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