Travel Bloggers :: Moda, Coça-Costas ou algo mais sério?

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Provavelmente o leitor assíduo da secção de Turismo da Vale Mais estará já familiarizado com alguns termos relacionados com a gíria: Travel Awards, low-cost, family-friendly, fam trips… A lista de anglicismos é extensa, mostrando que a globalização também se faz pela língua inglesa, cada vez mais dominante. 

Nesta edição, proponho uma análise a outro termo do jargão turístico: os Travel Bloggers. Ao mesmo tempo olhar-me-ei eu próprio ao espelho!

Se há tendência crescente e indesmentível no universo das viagens é a influência que os viajantes têm nas escolhas que outros irão fazer, seja o destino, o hotel, a companhia aérea, restaurante, serviço turístico ou mesmo loja de souvenirs. Esta influência é imparável, e as plataformas como o Booking ou o Tripadvisor incentivam os seus utilizadores a escreverem críticas por forma a criarem rankings dos mais variados serviços e produtos. Pois bem, é nesta onda de transferência do poder de influenciar das agências de comunicação para os utilizadores que se pode entender o fenómeno de Travel Blogging a que temos assistido: é um equilibrar de forças entre o marketing puro e o simples e anónimo utilizador/turista.

Sendo mais do que uma simples moda, eis que me vem à ideia a imagem do coça-costas: aquele providencial braço artificial de madeira que nos livra de uma comichão exasperante! Bom, apesar do prosaico da comparação, a verdade é que o Travel Blogging  veio pôr fim a uma inquietação que incomodava hotéis, restaurantes e mesmo destinos turísticos por falta de boa publicidade, visto que poderiam sentir que por vezes as classificações que os utilizadores deixavam ficariam aquém do real valor do serviço prestado ou do produto vendido. Tal como no caso dos coça-costas, que agora são mais sofisticados e têm rodas de massagem, também no caso da escrita de blogs de viagem a publicidade aparece de forma massajada! E esse é um perigo para o qual há que estar alerta, pois aliado à grande capacidade de escrita, alguns Travel Bloggers são muito bons fotógrafos, o que acaba por convencer os seguidores a adoptarem as suas recomendações, sem nada questionarem.

Quer isto dizer que o fenómeno de Travel Bloggers é uma farsa? NÃO, nem pouco mais ou menos. O mérito destas pessoas é imenso, pois põem a descoberto muitas das riquezas de lugares inóspitos, esquecidos ou simplesmente com má-fama! Para além de exploradores, dão dicas práticas para quem viaja com crianças, sozinho, quais os melhores locais a visitar ou os melhores pratos que provaram. Acima de tudo, quando se comportam como verdadeiros guias de viagem (aqueles que dão a conhecer através da sua experiência e dos seus conhecimentos práticos e de carácter sociológico, histórico e cultural), as paisagens, os monumentos, os locais, as personagens com que nos cruzaremos ganham outro valor!

Mas este será um mundo sem pecado, o de escrever sobre uma quinta, um resort, um hotel, um restaurante, uma cidade a convite de quem paga a conta? É pelo menos um mundo que requer cuidados: quer de quem paga a conta, quer de quem analisa, quer de quem lê a análise. Eu próprio tenho um blog sobre o Alto Minho, por isso me olho ao espelho e sinto na pele (melhor, no teclado do computador!) que é necessário ser-se isento e mostrar fielmente o que os olhos vêem! Não sendo um blogger profissional, deve ser obrigação deste não mentir para não induzir os seus seguidores em erro.

Recomendo por isso que sigam três blogs por motivos diferentes: por ser muito bem escrito e com a isenção suficiente para ser fidedigno (http://www.viajecomigo.com/ da Susana Ribeiro); por ser da minha cidade de origem (Porto) vista pelos olhos de uma brasileira que descobre recantos inacreditáveis e encantadores (www.oportoencanta.com, da Rita Branco); e o meu próprio, que se concentra nos motivos românticos que o Alto Minho tem nos seus 10 concelhos, desde a arquitectura até à gastronomia (http://wonderfulmoncao.wixsite.com/altominhoromantico).

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