MANUEL PINTO NEVES //////////// Um sonho ainda por cumprir

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O dia 1 de Fevereiro de 1908 ficou marcado pelo repugnante assassinato do Rei D. Carlos e do Príncipe herdeiro D. Luís Filipe. O atentado deixou um sentimento de profunda tristeza na generalidade da população portuguesa. Mesmo havendo naturais divergências políticas, ninguém pôde ficar indiferente perante tão doloroso e cruel acontecimento.

Os partidários republicanos manchavam as mãos de sangue inocente, mesmo antes de, também de forma violenta e sangrenta, terem imposto a República como regime político, que ainda hoje se mantém.

D. Carlos bem merecia o reconhecimento da sua extraordinária figura de estadista que procurou servir, em todas as circunstâncias, e através de todas as vicissitudes, o interesse nacional. E, só por isso, ele e o filho primogénito foram vítimas duma irracional paixão política partidária, cimentada em interesses mesquinhos e em vis calúnias.

Monarca constitucional, reduzido pelo sistema ao quarto poder do Estado, gigante em qualquer parte e mais ainda no meio da pobreza intelectual e moral da política desse tempo, procurou pôr ao serviço de Portugal as suas reais aptidões de estadista.

Tentou, todavia, e enquanto pôde, agir dentro dos limites que o sistema rigidamente lhe impunha.

Foi a figura central de toda a gesta escrita em África. Mas, perdidos em acções de baixa política, os acanhados representantes dos partidos, não se aperceberam da acção do Rei. Ela não prejudicava os seus jogos eleitorais, não ia contra os seus interesses nem contra as suas ambições de poder. Por isso foi possível realizar, com os heróis de África – Mouzinho de Albuquerque, Paiva Couceiro, Paiva de Andrade e tantos outros -, uma verdadeira epopeia de alto interesse nacional.

Porém, no momento em que D. Carlos compreendeu que, para mantermos o império ultramarino e o prestígio internacional por si conseguido, era preciso promover a sanidade da política interna, através de uma reforma de costumes e de hábitos políticos, foi o princípio do fim.

Na verdade, ao virar-se para dentro, já a sua acção ia colidir com a política parlamentar e com os interesses mesquinhos e egoístas. Apesar de essa acção ser, indubitavelmente, de interesse nacional, o ponto de vista partidário e interesseiro não tinha capacidade para atingir o alto alcance desta política do Rei.

As balas que, na Rua do Arsenal, em Lisboa, naquele primeiro dia do mês segundo, abateram El-Rei e o Príncipe, apagaram, de forma assassina, um sonho que continua por cumprir!

Todos os portugueses, monárquicos ou não, ao recordarem a tragédia daquele dia, em que a morte saiu à rua, envolta em cobardia e traição, não podem deixar de sentir a chuva a cair, triste e ensanguentada, com lágrimas frias de neve.

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