Uma cidade, um Porto, uma Marina: UM BARCO À DERIVA

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Com a maré se foi o Plano Estratégico apresentado aos vianenses pelo Partido Socialista há duas décadas, entretanto sucessivamente recauchutado, sem avaliação ou (re)assumir dos objetivos prévios não concretizados.

Com a maré se foi a hipótese de dar vida a Viana do Castelo, com um Plano Diretor Municipal para o futuro, assente no potencial endógeno dos nossos recursos e da comunidade, assente na realidade e não numa análise territorial desatualizada, na construção de mitos, fundamentalismos teóricos e cópias de outras realidades, cuja experimentação já percebemos onde nos conduziram.

Com a maré se foi, entre sucessivos mandatos, adiando e hipotecando (definitivamente?) a dianteira do desenvolvimento de um Cluster do Mar competitivo e liderante na região Norte. A localização única e privilegiada da capital do distrito proporciona reconhecidas condições ímpares para o desenvolvimento de múltiplas e complementares atividades da apelidada Economia do Mar, nas suas diversas áreas:

Portos, bunkering, logística e transportes marítimos;

Náutica de recreio e turismo de cruzeiros;

Pesca, aquacultura, processamento de pescado e investigação marinha;

– Vigilância e segurança marítima;

Indústria naval, construção e reparação; plataformas offshore.

Com a maré se foi a capacidade de interagir com a comunidade e com os atores da economia de modo a potenciar, de forma integrada, a instalação e o crescimento de novas atividades. Felizmente, as “âncoras” há muito que são uma realidade estável, nas condições naturais, nas infraestruturas portuárias, na indústria naval e até nas energias renováveis. É exemplo nacional a forma integrada e concertada, entre os diversos atores, como Braga procura hoje o investimento externo.

Com a maré se foi, durante duas décadas, o empenho do Partido Socialista local e do Presidente da Câmara, junto dos sucessivos governos, para solucionar a condicionante da inexistência de acessos rodoviários potenciadores da desejável acessibilidade e competitividade do Porto de Mar de Viana do Castelo. Empenho parece não ter faltado, junto de governos sem critérios de avaliação, para obras avulsas, sem planeamento, e para engenharia financeira em planos e projetos megalómanos de retorno, ruinoso, nulo ou duvidoso.

Com a maré se foi a vergonha, com sucessivas tentativas de responsabilizar o Governo de Portugal por tudo o que ele não quer ou não tem capacidade de executar, muitas vezes por culpa exclusivamente própria, decorrente do endividamento municipal e da dependência de fundos comunitários para investimento. É exatamente o que se verifica atualmente com os acessos ao Porto de Mar, cuja construção depende há muito da capacidade de execução da Câmara Municipal.

Com a maré se foi o decoro, e desta vez, a verdade e a realidade sobre a concessão da exploracão por privados das Marinas de Recreio. Nas últimas semanas, o Presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo anunciou um alegado novo investidor interessado em assumir a concessão da exploração, há vários mandatos prometida.

Com a maré se foi a verdade, e desta vez omitindo a existência de um longo processo judicial (sim, outro) sem qualquer decisão favorável à Câmara Municipal. Foi omitida a existência de outro interessado desde 2009, que venceu dois procedimentos públicos de concessão.

Com a maré, mais uma vez, o Presidente da Câmara Municipal pensou que poderia embrulhar e ocultar, na espuma da sua frenética agenda de propaganda, mais um eventualmente ruinoso processo judicial, com prejuízo de investidores vianenses, relativo a um concurso público por ele próprio promovido e aprovado há muitos anos.

Com a maré se foi, também agora sabemos, a verdade sobre o Parque da Cidade e os ruinosos custos, ainda por avaliar em definitivo, que o Presidente da Câmara conscientemente ocultou dos vianenses. A recente decisão judicial imputa a responsabilidade de uma indemnização de 2,5 milhões de euros. Nada que não tenha sido atempada e reiteradamente denunciado pela oposição. Um dos parques urbanos mais caros do país continua fechado ao público, apesar do alegado interesse público da expropriação. O que continuará por contar?

Com a maré e ao sabor dos ventos, gabinete após gabinete, os dossiers naufragam à vista do Senhor Presidente. Assim jaz o investimento em Viana do Castelo.

Com a maré, a força da verdade continuará a dar à costa. É a lei da natureza.

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