Opinião Luís Ceia | Uma REGIÃO vocacionada para o TURISMO

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© TURISMO PORTO E NORTE DE PORTUGAL

Somos claramente uma região vocacionada para o turismo, os muitos estudos encomendados pelas mais diversas instituições, a opinião daqueles que nos visitam e os comentários na comunicação social são um testemunho inequívoco dessa realidade. Aliamos natureza, património cultural, etnográfico, edificado e gastronomia, à graça das nossas gentes.

Aquando da recente visita do Sr. Secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, ao Alto Minho a convite da CIM Alto Minho, este referiu que “…o turismo tem hoje uma dinâmica que vai muito além da mera oferta de alojamento” e que necessita de ser conjugado com outros produtos que permitam “viver o território”. Como se deduz das palavras do Sr. Secretário de Estado, estamos perante um novo paradigma. Temos de iniciar o processo ao contrário, a partir dos mercados construir a oferta que mais se adequa a esses mercados que se considerem estratégicos. Equipamentos hoteleiros já existem e com muita qualidade, acrescente-se. Procurem-se agora dinâmicas que os possam potenciar, dinâmicas que passam por desenvolver formas de colaboração que vão de encontro a uma oferta integrada do território junto dos públicos-alvo.

Na realidade os dados do INE disponíveis para o período de 2002 a 2012, indicam que a capacidade hoteleira instalada na região aumentou em cerca de 25% em contrapartida o número de dormidas apenas cresceu 5%. Se juntarmos a isto o facto dos índices de ocupação já serem bastante baixos e o incremento da oferta hoteleira dos últimos 2 anos ainda não estar contabilizada, temos razões de sobra para estarmos preocupados.

Nos últimos anos, investiu-se muito na oferta de alojamentos através da construção/recuperação de hotéis, e casa de turismo de habitação e turismo em espaço rural, mas as receitas desses investimentos ficaram aquém das expetativas. Não é por falta de alojamentos que o Alto Minho não capta mais turistas. A oferta supera a procura. Aproveitando financiamentos a fundo perdido e outro tipo de apoios foi-se construindo e requalificando sem orientação estratégica para os mercados. Ao fim deste tempo pergunta-se: quantos empregos foram criados com este tipo de investimento? Alguns nos hotéis, no resto certamente muito poucos. Salve-se a recuperação do património e a valorização dos espaço rural, mas reconhece-se ser manifestamente pouco para um país de escassos recursos.

O sucesso do Turismo, como refere o meu amigo Dr. Vítor Neto no seu livro “Portugal Turismo – Relatório – Onde estamos para onde queremos ir?”, não vai lá com palpites, muitas vezes, desajustados “…não depende só da habilidade política, vontade ou esperteza…nem sequer do volume de investimento…não sendo verdade que qualquer região possa crescer turisticamente só porque há dinheiro e coragem e apoio do Governo ou do Presidente da Câmara ou dos fundos do QREN.”

A matéria-prima e excelência dos recursos próprios do Alto Minho exigem uma visão estratégica para o Turismo que resulte de uma leitura aberta e cosmopolítica e não provinciana, corporativa, limitada deste ou daquele setor ou interesse, município ou rua.

Luís Ceia, Presidente da CEVAL

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