Valença e a Cultura (Passado, presente e futuro)

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Valença e a Cultura (Passado, presente e futuro)

As raízes culturais de Valença são ancestrais, pois remontam a civilizações que passaram pelo Noroeste da Península Ibérica e aqui deixaram a sua marca. Não vou agora falar dos fenícios, dos gregos, dos celtas, dos germânicos, dos árabes ou até dos “vikings”. Porém, há dois grupos que legaram a esta comunidade primitiva alguns dos traços mais fortes: os lusitanos e os romanos.

Quanto aos primeiros, e embora tudo continue na nebulosidade da hipótese, alguns arqueólogos, antropólogos e pré-historiadores têm procurado demonstrar a filiação étnica dos portugueses nos selvagens que habitaram a futura “Ocidental Praia Lusitana”, quanto mais não fosse pela nossa indisciplina congénita.

Quanto aos segundos, tudo é muito mais concreto. É um dado adquirido que os romanos por aqui passaram cerca de 136 A.C., comandados por Décio Júnio Bruto, deixando vestígios na agricultura, na exploração mineira, na engenharia de pontes e na cultura militar.

Porém, a romanização pacificou este território e levou as populações a integrarem-se num sistema político que se traduziu numa obra cultural de grande relevo. Para além dos vestígios, mais ou menos apagados, houve uma raiz que ficou a perpetuar a sua passagem: o idioma latino. Ele foi a mais duradoura contribuição desse povo dado que constituiu a base do galaico-português falado nas regiões do Norte e do Sul do Rio Minho. Esse legado serviu para a estruturação da língua, do direito, da religião, da cultura em geral.

Após a expulsão dos árabes, regista-se, já no século IX, um repovoamento de toda a região setentrional do Minho e, depois da fundação da nacionalidade portuguesa, registam-se esses documentos de valor incomensurável para o estudo da cultura da comunidade: as inquirições e os forais. Eles tiveram em Valença uma importância vital pois, para além de promoverem o povoamento, definiram o estatuto público de direitos e deveres dos seus habitantes, dado neles se inserirem normas do direito penal e judiciário e a regulamentação de matérias respeitantes à vida económica.

Em meados do século XII, o Condado Portucalense é uma dependência da Galiza. Os cavaleiros galegos, enquanto empurravam os árabes para o sul, procediam à ocupação militar e traziam consigo a sua língua. Complementando esta acção, regista-se um desenvolvimento das ordens monásticas, que coincide com uma forte penetração cultural e com um importante movimento reformista.

Em Valença a irradiação cultural fez-se à sombra dos mosteiros de Ganfei, de Mosteiró e, especialmente, do de Sanfins, levando ao desenvolvimento de muitas freguesias do actual concelho valenciano.

Também a Igreja de Santo Estevão, como sede da comarca eclesiástica de Valença, que abrangeu o território entre o Lima e o Minho durante um período relativamente longo (1357 a 1512), marcou a história cultural desta região.

Ela foi também sede de uma Colegiada, relevante pela sua decisiva participação no apoio dado às medidas tomadas por D. João IV, em 1640.

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