ZEZÉ FERNANDES :: ‘O meu sonho era tocar nos Metallica ou Iron Maiden’

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ZEZÉ FERNANDES :: 'O meu sonho era tocar nos Metallica ou Iron Maiden'

José Luís da Silva Fernandes, mais conhecido por Zezé Fernandes, nasceu no dia 26 de Junho de 1966. Vive, atualmente, em Ponte da Barca e faz da música o seu modo de vida.

Toca cavaquinho, bandolim, cavaquinho brasileiro, braguesa, cuatro venezuelano, guitarra clássica, viola baixo, sintetizadores, flauta de bísel, bateria e diversas percussões, mas durante esta entrevista assumiu que, neste momento, o bandolim é o instrumento que está mais presente no seu coração.

Estudou guitarra clássica e formação musical, no Conservatório de Música de Viana do Castelo, e frequentou o Curso de Operador de Som e Sonoplastia da Rádio TSF. 

Tocou cavaquinho no Rancho Folclórico e Etnográfico de Ponte da Barca, bateria no grupo de heavy metal Fieís Defuntos, sintetizadores e percussões no grupo punk rock Atacadores Desapertados, bandolim e braguesa com o artista Luís Portugal (Ex-Jáfumega) e percussões no “Ó que som tem” do percussionista Rui Júnior. 

Desde 1991 que é músico profissional em nome próprio, e conta já com uma carreira com mais de 25 anos e mais de 1000 concertos.

Acaba de lançar o seu 6.º CD “É porreiro este país” para dançar e agitar as águas.

ZEZÉ FERNANDES :: 'O meu sonho era tocar nos Metallica ou Iron Maiden'

Desde pequeno que tenho interesse pela música. O acordeão foi o primeiro instrumento que consegui fazer uma melodia. Com seis, peguei num, e sem que ninguém me ter ensinado nada, consegui fazer algumas melodias. 

Mas só mais tarde, em 1981, quando o Júlio Pereira lançou o álbum do Cavaquinho, é que mostrei interesse, acrescido, pela música.

Para isso, ajudou o facto da casa dos meus pais ter uma sala onde se faziam umas festas com os amigos, sendo que dois desses amigos, (João Guimarães e Abel Cerqueira) tocavam viola e cavaquinho. E numa dessas festas ensinaram-me a tocar cavaquinho.

Passado algum tempo, quatro ou cinco meses, lembrei de comprar um cavaquinho e, mediante o que eles me tinham ensinado comecei a tocar. 

Fui estudar o cavaquinho e a técnica do rasgado e comecei, em algumas brincadeiras, a tocar em festas, casamentos, cafés, etc..

E quando começa a tua carreira?

Em 1991 é quando dou início à minha carreira. Foi quando fiz o meu primeiro espetáculo que, por incrível que pareça, foi em Londres, no auditório da Universidade de New Bedford. 

Mas antes de aparecer o Zezé Fernandes como o conhecemos tive um projeto na onda do Rodrigo Leão, Madredeus, etc. Não passou de uma cassete, mas está guardo em casa e tem muita música para ser gravada. Um dia, irei pegar nisso. 

Agora, em 2020 vou gravar um álbum, para comemorar os 30 anos de carreira, porque considero que está na altura de mostrar, realmente, o meu valor no cavaquinho. Será um voltar às origens. Será um álbum que, em princípio, será todo tocado por mim. 

ZEZÉ FERNANDES :: 'O meu sonho era tocar nos Metallica ou Iron Maiden'

O cavaquinho é o teu instrumento de eleição? 

O cavaquinho é o que eu toco melhor e o que está mais ligado à minha carreira, mas o bandolim é o que estou mais agarrado. Aliás a minha fonte de inspiração, para criar músicas é sempre o bandolim.

Há diferenças entre José Luís Fernandes e Zezé Fernandes?

José Luís da Silva Fernandes pessoa tem algumas semelhanças com Zezé Fernandes músico, mas há um afastamento muito grande.

Sempre fui uma pessoa muito envergonhada, mas os espetáculos deram-me traquejo para lidar com essa timidez. 

Lembro-me que das primeiras vezes que toquei num palco, tinha as pessoas a dois metros e mim, a olhar para mim, olhos nos olhos. Eu olhava para as pessoas, mas ficava atrapalhado e olhava para o lado. Chegou uma altura que tive de criar uma defesa. E passei a olhar fixamente as pessoas de modo a que sejam elas a ter de virar o olhar. 

Ou seja, essa pessoa tímida que era, já não tem nada a ver com o Zezé Fernandes que sobe ao palco e não tem vergonha nenhuma

Que importância tem a música na sua vida?

Neste momento preciso mais da música para viver do que, propriamente, no dia a dia. Até já estou um pouco cansado de ouvir música. Passo perfeitamente uma semana sem ouvir música. 

Tenho muito amor pela música, tanto que optei por fazer disso modo de vida, mas, consigo passar muito tempo sem ouvir música e sem ir a concertos.

Vou mais depressa ver amigos meus, aqui na região, do que vou a concertos ditos grandes que existem por esse país fora.

Onde te inspiras para fazer as músicas e as letras?

Quando fiz a primeira música, perguntei a um amigo meu, músico, como é que ele fazia originais. E ele disse-me que era fácil, que lhe saia naturalmente. Mas a mim não. 

Então, fui para casa, meti um disco dos Iron Maiden a tocar, peguei no Bandolim e comecei a fazer uns acordes. Comecei a explorar aquilo, gravei, e a partir daí comecei a explorar as minhas sonoridades. 

ZEZÉ FERNANDES :: 'O meu sonho era tocar nos Metallica ou Iron Maiden'

Como caracterizas a tua música?

Sendo eu uma pessoa ligada ao Folclore do nosso Minho apresentei a minha música, numa altura, que só tinha dois formatos de música popular. O Quim Barreiros, e os tradicionais grupos de música portuguesa. Eu nem queria ir para o lado do Quim Barreiros nem para o lado dos grupos. 

Então fiz a música popular à minha maneira. Com bateria, com baixo, e com sons de pop e rock. 

Depois, outra das coisas que quis fazer para marcar a diferença, além da minha postura em palco, foi fazer uns arranjos diferentes, onde pudesse brincar com rock, com o pop, com o heavy metal, o hip-hop, o fado, etc…

Tirarem-me de Refóios (Queima das Fitas do IPVC), foi o maior desgosto que tive em termos de espetáculos

E foram essas brincadeiras que marcaram a diferença com os outros artistas. 

Depois, onde marquei ainda mais a diferença, foi na postura em palco. Como eu sou brincalhão e gosto de heavy metal, criei uma personagem que demonstra aquilo que eu quero mostrar da música. 

Porque se eu pudesse ser um músico de heavy metal, preferia. O meu sonho era tocar nos Metallica ou nos Iron Maiden. Isso é que era o meu sonho. Mas atenção, gosto muito da música popular e daquilo que faço.

Algum espetáculo que te marcasse?

Tive muitos. Às vezes, não é por tocar para 40 mil pessoas que tens o espetáculo mais marcante. Recorda-me um, no ano passado, em Castanheira de Pêra, onde as pessoas estavam, estão, e continuaram a estar tristes e de luto, devido aos incêndios que deixaram muitas vítimas daquela terra.

ZEZÉ FERNANDES :: 'O meu sonho era tocar nos Metallica ou Iron Maiden'

Antes do espetáculo avisaram-me que as pessoas não se iriam entusiasmar muito e que nem iria ter muita gente, mas a verdade é que ainda consegui trazer algumas pessoas para o palco para cantarem comigo, e no final recebi os parabéns da organização porque as pessoas gostaram muito.

Depois, houve uma fase em que toquei em Refoios, na queima das fitas do IPVC, e em 20 anos era sempre eu que lá tocava. Fizeram um ano de pausa, meteram outros artistas, mas aquilo nem correu bem. Posso afirmar que nos meus 20 melhores espetáculos, 15, são seguramente, em Refoios. Mas agora não toca lá mais. Conseguiram-me tirar de lá há mais de 8 anos. Foi o maior desgosto que tive em termos de espetáculos. Mas a maneira que me tiraram de lá, não foi a correta. 

Quem pertence ao teu grupo?

O meu grupo tem quatro pessoas. O Paulo Lagarto, na bateria; o Jorge Dinis na viola/baixo; a Patrícia Silva no Acordeão e o Zezé Fernandes, claro.

Acabas de lançar o teu sexto CD. “É porreiro este país”.

Neste CD tive a necessidade de fazer músicas com letras que chegassem diretamente às pessoas. Antes não tinha essa preocupação, mas neste, tenho. O CD integra 13 temas que contam com a participação de nomes tão diversos como Quim Barreiros, Augusto Canário, Zé Amaro e Jorge Nande.

É porreiro este país fala de situações sérias, engraçadas e típicas do nosso Portugal.

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